quarta-feira, 9 de março de 2011
Pinturas
Pintar pode parecer, para alguns, complicado, para outros simples.
Muitas vezes a pintura transmite estados de alma ou sentimentos mas esses podem associar-se a técnicas com estética. A cor é fundamental. Mostra beleza, tristeza, paz, harmonia ou simplesmente paixão. A paixão de quem mistura e conjuga, numa tela branca, aquilo que lhe vai surgindo inesperadamente.
Não sou pintora, sou experienciadora de tintas e pincéis. Jogo com eles num desafio terapéutico que me dá paz. E isso é o que importa. O que surge não é importante. O que é importante é que eu goste do que surge.
Este é um quadro que levou alguns meses a pintar, com interregnos de apatia, mas ficou a meu gosto.
sábado, 5 de março de 2011
As árvores sofrem?
Feridas abertas de um bonsai
AS ÁRVORES SOFREM?
Eu adorava bonsais, e sempre tive predilecção por estas pequenas árvores em miniatura. E é esta a razão que me levou a apanhar, de um amontoado de vegetação seca de uma estufa, este pequeno arbusto já sem vida. Apaixonada, não só por bonsais, mas também por reciclagem, predispus-me a descascá-lo no intuito de o transformar numa peça decorativa.
E o resultado saltou-me à vista. Nas zonas em que os troncos foram torcidos aparecem sulcos negros aparentando feridas mal saradas.
Isto arrepiou-me e fez-me reflectir na hipótese de um sofrimento constante, infringido pela mão do homem que maneja a natureza a seu belo prazer.
Então pesquisei sobre árvores e bonsais e tirei algumas conclusões: O homem refere-se a estes seres apenas para sua própria utilidade. E podemos encontrar inúmeros artigos que enumeram o sofrimento das árvores apenas em função dos benefícios para a humanidade: Árvores sofrem devastação devido às chuvas ácidas deixando florestas, consideradas pulmões ecológicos, desertificadas; As secas dos últimos anos destruíram árvores que embelezavam a avenida…
Mas também encontrei fragmentos de opiniões de pessoas que pensam como eu:
“Blog ESPELHO MEU quarta-feira, 30 de novembro de 2005
Também não gosto de bonsais...
Sempre que vejo um bonsai fico a me perguntar o que leva
uma pessoa a atrofiar uma planta. Talvez a incapacidade de "Bonsais/sonham/demais/
construir, formar, algo tão forte, grande e firme como a com/pequeninos/pássaros
uma árvore? Conseguir criar o inverso natural das coisas e que/não/irão/ver/
ainda dar o nome a isso de "paciência e dedicação"? pousar/jamais".
Besteira! Talvez a finalidade seja realmente se sentir
poderoso diante de um Jatoba de 20 centímetros.
Para mim, isso é o reverso da criatividade.
E domingo, lendo uma crônica da jornalista e escritora
Madô Martins, vi que não sou a única a não gostar
de bonsais e de mãos que atrofiam.”
posted by Hades | Segunda-feira, Maio 05, 2008 | 2 comments
Terça-feira, Abril 29, 2008
Schopenhauer e os bonsais
Os bonsais me fazem sofrer. Não gosto de achar belas aquelas árvores atrofiadas, treinadas para se tornar miniaturas. Sofro também porque imagino que aquela plantinha acredite mesmo ser uma árvore. Talvez se sinta feliz, protegida de todos os perigos quando tinha – em potência – como diria Aristóteles, a capacidade de sobreviver às tempestades. Contenta-se com a água medida, contada a gotas, apenas suficiente para sobreviver, quando poderia receber por todo o corpo as ráfagas da abundância das chuvas de verão. Não gosto de pensar que aquela plantinha possa se sentir abalada por um sopro de vida quando uma árvore pode lutar contra a força dos ventos, e vencer, reafirmando suas raízes.
Ai, as raízes podadas do bonsai. São como os pezinhos atrofiados das mulheres orientais de antigamente: garantia de sua contenção. Acho que é isso, os bonsais são como as mulheres de Schopenhauer: miniaturas forjadas de ser humano. Elas não têm vontade, apenas desejam, têm caprichos; são voluntariosas. São como crianças porque o seu querer não interfere no mundo. É só o bater malcriado de um pezinho calçado em sapatinho de verniz. Sua vontade tem as asas aparadas dos pássaros criados fora da gaiola, pretensamente livres para voar.
Conheço mulheres assim. Elas também me fazem sofrer. Mantidas numa sala de espelhos, elas acreditam ser apenas a imagem de si que vêem refletida. Não entendem que os espelhos as limitam às dimensões – e profundidade – de um vaso cerâmico de bonsai.
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Cinthia Oliveira
O Esqueleto do meu pequeno bonsai…Confirma tudo isto!
Foi uma árvore que sofreu calada as dores de uma dilaceração enquanto lhe retorciam os membros, lhe moldavam a forma e lhe atrofiavam a alma.
Não é por mero acaso que são pouco resistentes, que secam facilmente e que têm dificuldade em se adaptar ao meio ambiente que lhes é imposto.
Os defensores do bonsai dizem que duram centenas de anos. Mas para todas as regras existem excepções.
Quando nós, humanos, sofremos mutações acidentais não somos capazes de resistir durante décadas? Mas muitas vezes essa existência não é isenta de dor nem de sofrimento. E nem sempre temos qualidade de vida com algumas mutilações.
Será o homem capaz de atrofiar seres humanos para os utilizar a seu belo prazer? Dúvidas? Certezas? Sejam vocês capazes de reflectir sobre isto!
Eu já reflecti:
…A PARTIR DE HOJE EU SEREI INCAPAZ DE ADQUIRIR OU TENTAR PRODUZIR UM BONSAI!
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